No início, a terra era sagrada.

 

Tudo o que havia na terra era sagrado: as árvores, os rios, o sol, a lua, o mar… Sagradas também eram as pessoas, a casa, a tribo, a história e a memória da tribo.

 

 No início, o amor à terra, as virtudes, a lealdade e a coragem  eram valores sagrados. O  rei tinha um compromisso com a terra: amar, proteger, cuidar. As pessoas  -  que  eram os filhos da terra e do rei – admiravam e respeitavam seu líder, que era o melhor caçador, o mais bravo guerreiro ou o mais sábio administrador das colheitas.

 

 No início, havia pessoas que viviam para conhecer e ensinar o sagrado. Xamãs, magos, feiticeiros, druidas, sacerdotes, pajés… Não importa como eram chamados em suas sociedades, eles tinham a sagrada missão de contar a história e as lendas de sua tribo, de orientar seu povo e de educar o rei e os jovens guerreiros.

 

 No início, a terra era de todos e para todos, e nós éramos divinos e sagrados.

 

 Então veio um tempo triste, em que os antigos Deuses do sol, da lua, da terra e do conhecimento foram acusados de “demônios”; seus xamãs e sacerdotes foram mortos, seus cultos, proibidos…

 

 Sem a sabedoria milenar dos sacerdotes para educar o povo, as pessoas se esqueceram de sua herança ancestral. Surgiram líderes egoístas e irresponsáveis, que não se importavam com a terra e o povo. A terra foi vilipendiada. Monumentos sagrados foram destruídos, florestas devastadas, culturas inteiras foram extintas…

 

 Hoje, a Mãe Terra chama seus filhos. Sacerdotes da natureza  -  xamãs, magos, feiticeiros, druidas, pajés  -  é hora de reacendermos o Fogo Sagrado do amor à terra nos corações de nossas tribos; é hora de vivificarmos nosso povo novamente.

 

 É hora de cuidarmos de nossa casa.

 

 Brasil, 07 de setembro de 2010.